FADO PARADIGMA
Enquanto canto palavras,
ora doces, ora amargas
e imagino uma vela,
deixai que o vosso olhar
se prenda a flutuar
ao redor da chama dela.
O nosso Fado é assim
de príncipio até ao fim
luzinha balanceante
que ameaça apagar-se
ou insiste iluminar-se
entre sombras oscilante.
Vivemos sem dar por ela
e qual chama singela
que acesa conservamos,
ardemos anos a fio
até ao rés do pavio
ou de repente apagamos!
Enquanto milhões de velas
se acendem como estrelas,
umas menos, outras mais,
o Fado da nossa vela
quando se apaga revela
que todos somos iguais...

Porto, 7 de Setembro de 2008
António Torre da Guia




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